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Portugal lidera subida mundial dos preços da habitação, com aumento de 15,2% apesar da queda global

  • Portugal lidera subida mundial dos preços da habitação, com aumento de 15,2% apesar da queda global

Num contexto de abrandamento generalizado dos mercados imobiliários a nível mundial, o mercado residencial português continua a apresentar uma trajetória claramente distinta.

De acordo com os dados mais recentes do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), os preços reais da habitação em Portugal aumentaram 15,2% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2026, registando a maior subida entre as 57 economias acompanhadas pelo BIS.

A Macedónia do Norte ocupou a segunda posição, com uma subida de 12,5%, seguida pela Bulgária, com 10,8%. Entretanto, os preços reais da habitação a nível mundial diminuíram 1,2% no mesmo período, após uma queda de 0,5% no quarto trimestre de 2025.

Os dados do BIS relativos aos “preços reais da habitação” são ajustados à inflação, permitindo uma leitura mais clara da evolução efetiva do valor dos imóveis residenciais. Em termos nominais, sem ajustamento à inflação, os preços mundiais da habitação aumentaram 1,7% no mesmo período.

Crescimento de Portugal muito acima da média europeia

A nível global, as diferenças de desempenho entre os vários mercados imobiliários estão a tornar-se cada vez mais evidentes.

No primeiro trimestre de 2026, os preços reais da habitação nas economias avançadas diminuíram 0,2% em termos homólogos, enquanto nas economias de mercados emergentes a queda foi de 2%. Alguns dos principais mercados imobiliários registaram correções mais acentuadas, com os preços reais da habitação a diminuírem cerca de 7% tanto na China como no Canadá e aproximadamente 2% nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Em comparação, o mercado imobiliário europeu apresentou uma maior resiliência. Na área do euro, os preços reais da habitação aumentaram 2,6% em termos homólogos, com Espanha a registar uma subida de cerca de 10% e Itália de aproximadamente 4%.

O crescimento de 15,2% registado em Portugal não só colocou o país no primeiro lugar entre as 57 economias acompanhadas pelo BIS, como também ficou significativamente acima da média da área do euro.

Este desempenho evidencia ainda mais a crescente diferença entre a evolução do mercado residencial português e a de muitos dos principais mercados imobiliários mundiais.

Desequilíbrio entre oferta e procura continua a impulsionar o mercado

A escassez de habitação continua a ser um dos fatores relevantes por detrás da subida persistente dos preços em Portugal.

Nos últimos anos, mercados importantes como Lisboa, Porto e Algarve têm continuado a registar uma procura significativa por parte de famílias residentes, compradores internacionais e investidores, enquanto o ritmo de entrada de nova oferta habitacional tem tido dificuldade em acompanhar plenamente o crescimento da procura.

Os dados mais recentes da plataforma imobiliária Idealista mostram também que, no final de agosto de 2026, o preço mediano de oferta da habitação em Portugal atingiu 3.207 euros por metro quadrado, mais 7,5% do que no mesmo período do ano anterior.

Em Faro, os preços de oferta da habitação aumentaram 18,3% em termos homólogos em agosto, a maior subida entre as capitais de distrito e das regiões autónomas portuguesas.

Importa salientar que os dados do Idealista dizem respeito a preços de oferta, enquanto os dados do BIS têm por base estatísticas de preços dos imóveis residenciais. Os dois indicadores utilizam metodologias diferentes e, por isso, não são diretamente comparáveis. Ainda assim, ambos apontam para a manutenção de uma pressão significativa sobre os preços no mercado residencial português.

Aumentar a oferta habitacional torna-se o próximo grande desafio

Perante a persistente pressão sobre a oferta de habitação, o Governo português está a avançar com várias medidas destinadas a incentivar a construção residencial. Entre estas encontra-se a intenção de aplicar uma taxa reduzida de IVA de 6% a projetos de construção elegíveis, bem como reformas destinadas a acelerar os processos de planeamento e licenciamento e a reduzir os prazos de desenvolvimento dos projetos.

No entanto, será necessário tempo para que estas medidas se traduzam na entrada efetiva de novas habitações no mercado. O planeamento do território, os procedimentos administrativos, os custos de construção, as condições de financiamento e os prazos das obras são fatores que podem influenciar a velocidade de aumento da oferta.

Por este motivo, o desequilíbrio entre a oferta e a procura de habitação em Portugal poderá persistir no curto prazo.

Numa perspetiva de longo prazo, o forte crescimento dos preços da habitação em Portugal, num momento em que muitos mercados imobiliários mundiais atravessam períodos de ajustamento, reflete em grande medida o desequilíbrio persistente entre a procura habitacional e a oferta disponível no país.

Link original: https://www.theportugalnews.com/news/2026-09-02/portugal-leads-global-house-price-rise/1079928

Para mais informações, consulte: https://adlinvestment.com/pt-pt/about/

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